terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Quando fui vento

Ouvi o vendo que batia na janela do meu quarto ontem a noite, e senti o desejo de poder ser o próprio.
Desejo insano de ir aonde quizesse, não importasse a hora ou a distância, menos ainda a velocidade. Apenas desejei ser vento. Para poder ir aonde eu quizesse e a quem quizesse, para tocar, envolver, fazer arrepiar... fazer com que me sentissem também.E por longos dois minutos, eu fui vento. No meus pensamentos eu cheguei exatamente onde eu queria está. Toquei, os lábios mais cobiçados pelos meus, arripiei a pele que minhas unhas sentem a carencia de arranhar, e ousei envolver na proporção que meus sentimentos pediam. Ser vento foi ser quem quiz sempre ser. Ser vento foi estar nos lugares onde meus sonhos mais costumam ir, no mesmo tempo que estava alí no meu quarto, na minha cama, na minha casa, sem sair do lugar. E depois de muito tentar voltar a mim, demorei um pouco mais que dois minutos. Porém, mesmo que eu queira (ainda), aquela sensação tonta, não consigo esquecer.

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"Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre."

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